Moreno, 21 de agosto de 2008
Clarinha,
Há 5 anos, numa hora como essa, eu sentia os primeiros sinais. Lembro que esquentei um pouco de água, coloquei uma cadeira no banheiro, e fiquei conversando com você, que ainda era parte de mim, prestes a se soltar. Aquela noite foi difícil, não foi como eu quis, pensava em te receber de forma mais tranqüila. Não deu. Foi como foi, naquele hospital, no frio do ar condicionado, que às 11h12 da manhã você apareceu no mundo, com cabelos muito pretos e mãozinhas e pezinhos minúsculos.
Você foi a filha que sonhei ter. Você, seus cachinhos, sua esperteza, seu temperamento ora calmo, ora genioso. A minha boneca da infância, a minha companheira na vida adulta. Um pedaço de mim
Amanhã você faz anos. Muito grande nos seus 5 anos. Um dente quase se soltando, as mãos quase escrevendo.
Mamãe anda distante, muito trabalho, não teve jeito, teve de ser temporariamente assim. Sinto muito sua falta no tempo longo que passo longe de você.
Este ano você terá dois aniversários, filha, dois dias inteiros de aniversário. Amanhã tem um bolo gostoso na escola, com seus colegas. No sábado é o seu aniversário comigo. Eu embrulhei vários pequenos presentes pra você abrir. O batom que você pediu, um dominó colorido pra gente aprender a jogar juntas. Presilhas e mais presilhas pros seus cachos. Um DVD e um porta-cd pra você levar os seus filmes pra casa da sua avó. No guarda-roupa, longe de seus olhos, mais filmes. Do Potter, que sua mãe quer viciar você também. Sei que você vai gostar.
Até sábado, sigo com sua falta,
Mamãe
